quarta-feira, 19 de maio de 2021

ENREDO - Estrutura básica

Quando o assunto é a escrita de histórias, existe uma forma de estruturar o texto simples e descomplicada, a chamada estrutura dos 3 atos. Neste post conheceremos sua forma simplificada, que na maioria das vezes, é uma das formas mais fáceis de começar a pensar no nosso enredo.

A técnica consiste em dividir o texto em quatro partes, montando o enredo através de cenas, que se transformam em capítulos, assim progredindo até seu fechamento.

A estrutura dos 3 atos consiste em:

  • Exposição: introdução dos personagens, tempo e espaço.

  • Desenvolvimento: relações entre personagens, conflito e tensão.

  • Clímax: momento que o protagonista tem que encarar o conflito, o ápice da história.

  • Conclusão: consequências do conflito e resolução de pontas soltas.

Agora, vamos falar um pouco sobre cada ponto:

Exposição

É o primeiro terço da história, onde colocaremos os personagens principais, como protagonista, coadjuvantes e antagonistas se for possível. É onde também daremos uma apresentação daquele mundo e de seus aspectos, junto com o primeiro desafio ou problema que irá se apresentar a seu personagem protagonista. Você pode colocar toda a exposição em um prólogo ou inseri-la ao longo dos primeiros capítulos junto ao enredo da história.

Mas, o que exatamente significa exposição?

Ora, é bem simples, significa deixar que seus leitores fiquem familiarizados com os personagens e aquele mundo fictício, apresentando as principais características da história logo nas primeiras linhas e também deve ser feito através de cenas onde seus personagens interagem entre si, mostrando como eles agem e até citando outros personagens menos importantes se for possível. Outra característica importante a se colocar na exposição é o que tema que a história vai usar: é o amor? Transformando nossa história em um romance? Ou é um mistério, ou um policial? Você tem que deixar isso bem claro. Outro ponto interessante é informar que tipo de ambiente ou sociedade é aquela: é um mundo pós-apocalíptico? a/b/o? Velho-oeste? Colegial? Após desenvolver os três atos que darão uma base para a minha história são esses aspectos que eu desenvolvo.

  • Personagens

Introduzir o personagem principal nas primeiras linhas é essencial. Imagina que você está lendo um livro, o personagem que parece ser o principal é interessante e aí, de repente, o foco é jogado em outro personagem sem explicação alguma. Eu me sentiria traída e largaria o livro imediatamente. No mínimo, o que você tem que fazer é dar indícios que a história não é sobre quem está a contando. É interessante que você comece a história por uma cena da rotina do personagem se for uma original, mas se for uma fanfic eu não vejo muita necessidade, a não ser que seja de um universo alternativo. O importante é analisar se os leitores têm familiaridade suficiente para que se possa pular a parte de contar um pouco sobre quem os personagens são ou se eles são desconhecidos, então, em qualquer caso, é de extrema importância que você faça seus leitores se importarem com seus personagens.

  • Tempo e espaço

Sim, tempo e espaço fazem parte da exposição da nossa história. E, porque seria isso? Muito simples, não importa o que o personagem esteja fazendo ele sempre vai estar inserido em algum espaço e tempo, sempre, mesmo que não esteja escrito em cada cena, por isso que é mais adequado informar ao leitor em que época e lugar os personagens estão inseridos desde o começo para não precisarmos ficar informando a toda hora.

Quem quiser dar uma revisada vá até aqui, no tópico narração.

Desenvolvimento

Relações entre personagens, conflito e tensão.

Na teoria, é onde a maior parte da história deve ser desenvolvida, devendo ser algo entre dois quartos da sua história. Entretanto, eu nunca entendi muito bem isso, porque desde a exposição nós temos algum tipo de conflito e relações entre personagens. Pensem bem, se não houvesse algum tipo de tensão desde a primeira cena não haveria uma história, certo? Me contem um começo de história onde os personagens não fazem nada ou ficam olhando para o teto. Tipo, não faz sentido algum. Então, quando eles se referem ao desenvolvimento podemos entender que é aquele meio da história onde as apresentações acabam e você começa a intensificar os acontecimentos da história, os tornando mais rápidos e contínuos até alcançarmos o clímax da história, que é o nosso próximo passo. As cenas proativas e reativas podem ser uma grande ajuda nessa. Quando você não souber como continuar, tudo o que você tem que fazer é analisar a história e ver o que ela pede, se perguntando: O que vem a seguir? O que poderia acontecer para fazer a história avançar? Às vezes, identificar se a cena anterior foi reativa ou proativa pode te ajudar a escrever a próxima cena.

Clímax

Momento que o protagonista tem que encarar o conflito, o ápice da história.

É a parte mais curta e delicada da narrativa, pois o clímax da história vai dizer se seus leitores vão sair satisfeitos e posteriormente voltar para outras histórias ou se essa vai ser a única história sua que eles vão ler. Esse é o momento que eu mais temo, de verdade, pois é o momento em que eu não posso te instruir como prosseguir. Eu sei que vai parecer óbvio, mas cada clímax tem seus próprios detalhes.

  • O Clímax pode ter uma conclusão óbvia, porque tudo o que você escreveu até aquele momento apontava para essa cena;

  • O Clímax pode ser algo que ninguém imaginava, surpreendendo seus leitores;

  • O Clímax pode ser uma cena que ninguém achava que você teria coragem de escrever;

  • O Clímax pode ser uma cena dúbia, onde você empurra essa cena para uma próxima história se for uma série o que você planeja.

Enfim, um clímax pode ser escrito de várias formas, o importante é fazer parecer que é um tipo de fim ou uma resolução, aberta ou não, onde o leitor tenha a sensação de fechamento de alguma forma.

Conclusão

Consequências do conflito e resolução de pontas soltas.

Aqui é onde eu decido se a história vai ter uma continuação, e se ela vai ser uma continuação direta ou não. Se ela tiver uma continuação direta é onde se deve inserir uma nova exposição, retomando os acontecimentos passados, mas se você decidir concluir sua história é onde se deve resolver todos os problemas e pontas soltas da sua história. Geralmente, uso essa parte para mostrar as consequências finais do clímax, continuando ou dando um senso de finalidade para a história. Por exemplo, em uma antiga fanfic de supernatural que eu escrevi o clímax da história sendo a sentença de um julgamento onde a mãe do filho do Sam foi julgada culpada. O que aconteceria a partir dali? Eu decidi focar no filho e na bondade dele mesmo depois dos abusos psicológicos que ele sofreu da mãe, dando um tipo de redenção para ela, mesmo que no fim, como vilã da história, ela tenha perdido tudo o que queria. Eu dei um fim digno para todos os personagens e fechei a história de modo que todos os personagens tivessem um ponto final para aquela história. É claro que mais tarde eu fiz uma continuação, colocando o filho do Sam como protagonista e deixando os irmãos Winchester em segundo plano.

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