terça-feira, 18 de maio de 2021

DICA DO DIA - Estruturação de Frases e Parágrafos

Boa dia, como vão todos? No post de hoje gostaria de focar na forma de nossos textos. Falaremos sobre escrever orações, frases e parágrafos a fim de manter um texto fluido e agradável à leitura.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que uma boa escrita requer estudo. Não é suficiente colocar as palavras no papel e achar só porque você tem um enredo montado todo o resto não precisa de planejamento. Apenas entendi o que um texto bem escrito é quando percebi que ter um enredo bem planejado e ter um texto bem estruturado são duas coisas diferentes. Por exemplo, um texto pode ser bem escrito e ser vazio de qualquer conteúdo além de palavras bem empregadas e como também pode ser um enredo brilhante e criativo junto com um texto mal escrito, deixando claro que um não depende do outro.

O próximo passo para mim foi analisar o que eu gostava no texto de outras pessoas e empregar tais aspectos no meu próprio.

Então, lá fui eu! 

A primeira coisa que eu percebi é:

Conectivos

Sim, os meus adorados conectivos. Eles são palavras ou expressões que interligam as frases, períodos, orações e parágrafos, permitindo a sequência de ideias e são desempenhados pelas conjunções (palavras invariáveis usadas para ligar os termos e orações em um período), assim como alguns advérbios, pronomes e as vírgulas também, além do gerúndio para se indicar a continuação de uma ação.

Escrita cuidadosa

Sei que parece óbvio, mas essa foi uma descoberta contraditória e que me custou a entender, primeiro pela noção de que escrever era só isso, colocar palavras no papel, e por acreditar que escrita era um dom e não uma habilidade que se desenvolve durante anos de prática. Eu não sei exatamente quando eu me dei conta de que reescrita e análise de texto eram necessárias, porque para mim é o que torna um bom texto, é a atenção e cuidado, a vontade rever o mesmo texto a fim de sempre melhorá-lo, é a dedicação por trás de toda a “facilidade” que as pessoas acham você tem em construir algo que tenha um conteúdo e uma forma bonita de executar.

Eu aprendi que para ter um texto bem escrito eu deveria:

Prestar atenção no que se escreve

O que me fez perceber o quanto minha escrita era horrível era a minha falta de atenção e de estudo, porque eu simplesmente jogava as palavras no papel e achava que era o suficiente. Acreditar que um bom texto nascia espontaneamente me impediu de escrever por um longo até que eu falei “Que se ****”, eu quero escrever e eu vou escrever, mesmo que no começo eu não seja tão boa nisso. Felizmente, eu fiquei encantada de saber mais tarde, bem mais tarde, que a primeira versão do texto de todo mundo é uma droga

De verdade, se alguém te disse que escreve de primeira e que tudo sai perfeito… você está sendo enganado. Então, agora, eu respiro fundo e deixo meu lado crítico descansar, eu escrevo o que eu tenho que escrever e depois volto para reescreve-lo assim que eu puder. Entretanto, o meu escrever não é de qualquer jeito; é lento e é detalhado. Eu tenho em mente o que eu vou escrever (nesse momento eu já fiz a organização do enredo) e os aspectos que eu quero destacar e como a cena deve se desenvolver, agora é o momento de se concentrar somente nisso. Palavra por palavra e sem pressa, eu escrevo, já dando uma estrutura adequada para os parágrafos e tentando manter uma linha de raciocínio lógico. Se eu vejo que estou começando a escrever frases soltas, eu paro e releio o que eu escrevi até o momento, tentando recuperar o fio do pensamento.

Então, quando eu falo em prestar atenção, não me refiro somente ao enredo e personagens. É literalmente o modo que decidimos contar tal história, isto é, que tipo de palavras vamos usar e a forma de colocar no papel. Como, por exemplo:

Variar os tamanhos dos parágrafos:

  • Parágrafos longos ou cumpridos? Como você os montará? Será focado em descrição ou em diálogos? Todo tipo de texto é válido, contanto que seja bem escrito.

Decidir as estruturas das frases:

  • Um estilo de escrita mais direto? Focados em diálogos e com menos explicações;

  • Um estilo de escrita mais indireto (emocional)? Focado em contar cada detalhe da história com monólogos internos que ajudam os leitores a entender profundamente o personagem, cheio de descrições de lugares, objetos, pessoas e sentimentos;

Prestar atenção no comportamento dos personagens:

  • Eles ainda agem do que jeito que você planejou no começo?

  • Eles cumprem o papel deles?

  • Quem pratica a ação? Se não for o seu protagonista é bom verificar quem mais age na história. Às vezes nos enganamos com nossos personagens.

Prestar atenção se a história tem ambientação o suficiente para não deixar o leitor perdido, elas podem ser:

  • Tempo psicológico: As cenas mostram o suficiente do personagem para parecer que o leitor o conhece, física e emocionalmente?

  • Tempo físico (lugar): o leitor conhece o suficiente dos lugares que o personagem frequenta?

  • Tempo social (mundo que rodeia o personagem): É demonstrado o suficiente para que o leitor entenda aquele tipo de sociedade, suas regras e a forma padrão de se comportar naquele mundo?

Manter um P.O.V do personagem por cena ou capítulo

— Está tudo bem, eu pensei que já tivéssemos resolvido esse assunto. — Amanda olhou para o rosto de Jordan que ainda a encarava do outro lado da clareira, se perguntando porque Jordan estava ali.

— Eu… eu só achei que deveria pedir desculpas. — Jordan finalmente encarou Amanda de volta e reparou que nunca havia parado para observar os olhos escuros da amiga. O que era confuso, Jordan via tantas emoções juntas no rosto dela que era difícil distinguir uma da outra, embora todas elas enfim revelassem algo que esteve escondido até aquele momento.”

Então, acima temos uma cena com dois personagens em foco, Amanda e Jordan. E o que a cena tem de errado, você me perguntaria. É fácil de responder, eu te diria. Vocês percebem que em ambos parágrafos os dois personagens dizem o que eles pensam? Esse é o erro de P.O.V, o ponto de vista do personagem. 

A não ser que esse seja seu objetivo. A longo prazo se tornaria bem confuso de escrever então, ficaremos com apenas um ponto de vista por cena ou capítulo, pois, como o nome já fala, só deveria haver um personagem por ponto de vista, somente um personagem dando a opinião dele, porque cada personagem vê o mundo de uma forma diferente, assim, não fica parecendo que os dois personagens veem o mundo da mesma forma. A não ser que eles dividam a mesma mente. Entretanto, escreva com consciência, porque, afinal, o controle do que vai acontecer esta nas suas mãos.

Uma dica é descrever como um personagem vê o outro, mas nunca descreva o que os dois sentem na mesma cena.

Veja a seguir:

“— Está tudo bem, pensei que já tivéssemos resolvido esse assunto. — Amanda disse, parada do outro lado da clareira, o encarando fixamente.

— Eu… eu só achei que deveria pedir desculpas. — Jordan finalmente levantou a cabeça e a encarou, olhando para a profundidade dos olhos negros da amiga. Ele viu Amanda franzir as sobrancelhas e se aproximar dele, como se tentasse enxergar algo em seu rosto. Era estranho, Jordan queria sair dali antes que Amanda entendesse o que acontecia.”

Bem melhor, certo? Aqui temos o ponto de vista de somente um personagem e temos tanta informação quanto no trecho anterior.

Manter as descrições sobre determinada coisa em um parágrafo só.

Exemplo:

“Amanda estava sentada debaixo de uma árvore perto do lago, enquanto tentava se concentrar em um livro. O sol batia nos galhos das árvores formando sombras engraçadas no chão e uma brisa agradável passava com grande suavidade por entre seus cabelos.

Ela observava o lago enquanto os pensamentos fluíam soltos por sua mente. “Algo ruim vai acontecer.” ”

Agora, se colocássemos tudo isso em um parágrafo só, ficaria:

“Amanda se sentava embaixo de uma árvore perto do lago, enquanto tentava se concentrar em um livro, mas tudo o que podia pensar era que algo ruim iria acontecer. Mesmo que o dia parecesse calmo e sereno, com o sol batendo nos galhos das árvores e uma brisa agradável passasse por entre seus cabelos, ela sabia.”

E em diálogos:

“— Eu… — Jordan se virou para Amanda e olhou fixamente para a profundidade dos olhos dela.

Ele respirou profundamente e ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha de Amanda.”

Essas duas frases eu uniria porque uma é a continuação da outra, assim:

“— Eu… — Jordan se virou para Amanda e olhou fixamente para a profundidade dos olhos dela, respirou fundo e ajeitou uma mecha de cabelo que havia escapado enquanto conversavam.”

Obs: O importante não é que seja perfeito e sim que siga um fio de pensamento claro e conciso.

Manter descrição de situação separada de descrição de ações (Cena Reativa e Cena Proativa).

“Amanda ficou um tempo em pé com as mãos apertadas em punhos e olhou para a mesa do outro lado do pavilhão, podendo ver que Jordan sorria e conversava alegremente com seus companheiros. Ela acabou desviando o olhar quando Jordan a encarou de volta e seguiu para fora do pavilhão, indo em direção a floresta.”

Como podemos ver, esse parágrafo é composto por duas orações, uma descritiva e outra de ação. Isto é, a primeira oração é reativa e a segunda é proativa, onde o personagem decide tomar uma ação referente a uma ação passada. É importante que separemos esses tipos de textos dentro de um parágrafo, os separando por pontos, assim como vemos acima, pois assim fica mais fácil seguir um fio de raciocínio lógico, tornando a história de fácil entendimento.

Usar palavras específicas

“— Rafa desmaiou no meio de todo mundo.“

No meio de todo mundo, mas onde exatamente? O correto seria usar um termo mais específico, como: no meio da sala de aula, do pavilhão, do escritório e etc. Assim, nós damos uma localização exata para nosso personagem e damos mais caracterização a história. Então, na próxima vez, seja mais específico.

Excesso de flashback (Memórias)

Não há coisa mais irritante do que ficar parando o texto no meio para ler coisas que aconteceram em um passado longínquo. Primeiro, se essa cena não está na sua história e você é obrigado a colocá-la como um flashback, algo está errado e em segundo lugar, quer dizer que sua história é fraca se ela precisa resgatar cenas que aconteceram em outra linha temporal. Então, a não ser que você tenha planejado esses flashbacks com antecedência, não os use, se limite a um flashback no início do capítulo e apenas um por capítulo, por favor. Afinal, isso é um quebra cabeça ou uma história?

Falta de pronomes

Uma coisa que eu não entendo é porque as pessoas têm medo dos pronomes, eu juro! Para mim, é como se faltasse um órgão. Então, se você olhar para seus parágrafos e ver que em um deles falta aquele “ela”, “ele” ou até mesmo o nome do personagem, vá em frente! Soa mais bonito e é correto gramática e ortograficamente.

Sendo assim, chegou a hora de questionar porque eu faço isso. Não seria melhor deixar esses detalhes para a reescrita? Eu descobri que escrever devagar e com consciência do que ou do porquê você faz, poupa o meu tempo lá na frente. É bem simples, na verdade. Antes eu costumava escrever de qualquer jeito, sem pensar na estrutura do meu texto e quando eu voltava para reescrever, eu demorava o triplo do tempo corrigindo palavras erradas, estrutura das frases e reescrevendo a cena para que ela saísse do jeito que eu precisava que ela saísse. Portanto, mais vale 500 palavras bem escritas do que 2.000 mal escritas.

Técnicas de redação argumentativa

Essa ideia pode parecer meio estranha, principalmente porque são modelos de textos completamente diferentes, mas pensem comigo: O que é necessário para um texto argumentativo?

  • Introdução de uma ideia

  • Desenvolvimento de uma ideia

  • Conclusão de uma ideia

Afinal, não é isso o que todos os textos têm em comum? É claro que seu leitor não deve identificar isso no seu texto, mas pense novamente comigo. A diferença entre um texto narrativo e um dissertativo é que o dissertativo é direto; ele te dá as razões comparando com uma parte contrária e te dá uma conclusão clara e objetiva explicando por ele tem razão. Agora, quando vamos escrever um texto narrativo tudo se trata de metáforas, comparações, aventuras e conflitos, nunca te dando uma resposta clara. Porque será que sempre que eu termino de ler um livro sinto que eu aprendi alguma coisa ou que eu fui convencida que aquilo que eu li é bom e que eu concordo com a escritora? Outro dia mesmo, uma leitora me disse que não gostava do ship que eu escrevia, mas que estava amando a história. Porque será que isso aconteceu? É bem simples no final, toda história deve te convencer de algo, seja te ensinando alguma coisa, ou seja, mostrando um ponto de vista que você não considerou anteriormente.

Em conclusão, ambos tipos de textos querem te convencer de algo, porque todo texto escrito tem esse propósito, e ambos os textos têm sua própria forma de fazer a mesma coisa, só que de jeitos diferentes. O seu trabalho, como um escritor, é fazer o leitor entender e ter empatia por tal assunto ou personagem, sem que seja óbvio a manipulação por trás do texto.

E embora essa discussão seja interessante, o meu ponto aqui é mostrar uma forma de desenvolver uma cena pelo método científico da dissertação; pela introdução, desenvolvimento e conclusão de uma ideia.

Introdução da ideia

Aqui é onde o texto ou cena começa. Eu costumo dar uma leve introdução no primeiro parágrafo sobre onde o personagem está, como ele se sente e do que essa cena se trata. Por exemplo, no parágrafo a seguir:

“— Olha por onde anda, moleque! — Nico trincou os dentes e ignorou o som da buzina, contendo a vontade de xingar o homem dentro do carro. Provavelmente, era mais um alfa que se achava no direito de tratar Nico como quisesse só porque ele era um ômega. Mas, claro que não era culpa do alfa, não, porque nunca era; era culpa de Nico ser um ômega, e merecer esse tratamento pelo fato dele meramente ser um ômega. Seus pés também não ajudavam, eles doíam tanto que Nico mal se aguentava em pé.”

Aqui fica muito claro o que eu quis dizer anteriormente.

  • Os sentimentos do personagem estão em evidência durante todo o texto;

  • Nós sabemos onde ele está;

  • Sabemos o que ele sente;

  • O autor tenta nos convencer sobre algo: Uma sociedade a/b/o, sobre jogo de poder e quem está no topo da cadeia e quem são os injustiçados. Quem seria o mocinho aqui? O texto sempre está tentando te convencer de algo, sempre.

Esse texto é parte da primeira cena de uma história e por isso não tem obrigação de dizer para onde essa cena está indo, veja a baixo quando se tem uma ideia do que a cena se trata, no segundo parágrafo:

“A verdade é que Nico havia andado o caminho inteiro até ali, uma longa jornada de cinquenta minutos caminhando pelo centro da cidade até entrar na parte menos favorecida do bairro. É claro que Nico poderia ter agido como uma pessoa normal e ter pegado o ônibus que o levaria a seu destino. Ele poderia, porém, sua tia tinha sido bem clara; o dinheiro que estava em seu bolso deveria ser usado somente se ele precisasse, pegar um ônibus não era nenhuma emergência, não de acordo com seu dicionário. Por esse motivo, havia parado por alguns instantes no ponto de ônibus para confirmar que ninguém o reconheceria e continuou a andar, virando esquinas e desviando de carros apressados que pareciam não o enxergar.”

Esse segundo parágrafo, diferente do anterior, já nos diz tudo o que precisamos ter para uma boa introdução. Lugar, o que, onde e como, e principalmente, sentimento. Vocês conseguem perceber como o autor deixa clara qual é a índole do personagem e qual seu status social? O texto te convence de que o personagem é uma boa pessoa e por tanto, poderia ser o protagonista herói da nossa história, especialmente, porque o primeiro parágrafo serve para introduzir o protagonista. E agora que sabemos sobre o que a cena se trata, (o personagem indo para casa) podemos ir para o desenvolvimento da ideia.

Desenvolvimento da ideia

Esse próximo passo é um pouco mais subjetivo, porém simples de seguir. Devemos observar o que foi descrito no primeiro ou primeiros parágrafos e desenvolver a cena em volta do objetivo daquele parágrafo, que no nosso caso é fazer o personagem chegar em casa. Veja no parágrafo a seguir:

“Nico se arrastou pelos últimos passos até sua casa e subiu as escadas da pequena varanda, abrindo o portão de altas grades e entrou em seguida.

Ele colocou as chaves na mesa de centro e parou no meio da sala, sentindo um familiar odor vir a ele, o sufocando e o prendendo no lugar, o fazendo se contorcer desconfortável e dar alguns passos para trás como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago. Parecia que um alfa havia se esfregado em cada cômodo de sua casa e depois marcado o território feito um cachorro possessivo.

Nico se forçou a se mover e suspirou cansado, subindo as escadas, uma de cada vez, tentando relaxar e não mostrar a aversão que seu corpo sentia a cada vez que Will se aproximava mais do que o necessário. Era confuso, Nico não sabia se apenas não gostava de Will romanticamente, se a biologia deles era incompatível ou se era algo psicológico.

— Vamos, Nico. Seja homem. Ele é só um amigo, seu único amigo. — Nico se estapeou mentalmente e continuou a subir as escadas.”

Conclusão da ideia

Bem, outro aspecto importante para um bom começo e desenvolvimento de uma história é introduzir o antagonista assim que possível. Pois, o antagonista é o que faz a história progredir, é aquele que incomoda o protagonista ou traz algum tipo de consequência que o protagonista sozinho nunca teria que enfrentar. É onde a conclusão da cena ou ideia entra, nos dando a conclusão dessa cena e nos introduzindo ao começo de outra, o famoso gancho narrativo; é o que nos permite fazer outra pergunta e é onde uma nova ideia ressurgirá.

Veja no trecho seguinte a conclusão:

“Ele não sabia como as coisas tinham chegado a esse ponto, Nico costumava ter um alfa atencioso, amigos fiéis e a falta de dinheiro não o incomodava, mas aqui estava ele, nessa tentativa inútil de manter o último alfa que tinha restado em sua vida. Isso nem deveria surpreendê-lo, era de sua natureza a necessidade de estar perto de um alfa e, ao mesmo tempo, a de ser independente.

— Nico? — Ele ouviu Will o chamar de dentro do quarto.

Era agora ou nunca.”

Regra de três

É algo que eu também reparei ser muito recorrente em textos narrativos. Eu não recordo o nome real, mas essa técnica é composta por três elementos que são separados por duas vírgulas e um “e”. Ficaria assim: “___________ , ____________ e _____________.”

Exemplo:

  • “Nico costumava ter um alfa atencioso, amigos fiéis e a falta de dinheiro não o incomodava.”

Essa técnica pode ser usada em qualquer situação. Pode ser usada para descrever lugares, coisa que se interligam, objetos, pessoas e o que mais sua criatividade decidir.

Gerúndio

O gerúndio é um cara mal interpretado, pois na maioria das vezes ele é usado de forma generalizada. Agora, porque eu falo isso? Se você fizesse essa pergunta para um professor, ele diria que usar o gerúndio como indicativo de futuro é o incorreto, como nessa frase:

  • Vou estar indo para casa.

Então, porque será que todo mundo tem tanto medo assim? É porque durante nossa infância essa regra errônea foi repetida tantas vezes que nós acabamos acreditando. Agora, se for possível, eu gostaria de esclarecer esse mal-entendido:

É permitido usar o gerúndio quando se quer dar um sentido de continuação para uma cena ou descrição.

Pense bem, quando você lê a palavra “dançando” o que te vem à mente? Não é o “dançar”, algo que acontece em um tempo não estabelecido e também não é o “dançou”, indicando uma ação que já teve seu encerramento, mas se usássemos o “dançando” nos daria o perfeito sentido de uma ação que ainda está acontecendo e nos permitiria estender a narração sem perder a fluidez do texto e não deixaria o texto artificial. É claro que a palavra “dançava” também nos dá um sentido parecido, entretanto, por causa do tempo verbal, nem sempre será possível encaixar a palavra no tempo verbal correto, nos restando usar o gerúndio como um bom amigo que ele é e nos salvando de parágrafos mal escritos.

Assim, basicamente, nós usamos o gerúndio quando queremos continuar escrevendo uma cena sem precisar usar um ponto final a cada final de frase. E para mim, sendo mais específica, uso o gerúndio como um conector discreto se bem empregado. Veja abaixo como eu fiz:

“Ele colocou as chaves na mesa de centro e parou no meio da sala, sentindo um familiar odor vir a ele, o sufocando e o prendendo no lugar, o fazendo se contorcer desconfortável e dar alguns passos para trás como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago.”

Enquanto

Eu tenho que dizer, foi algo que eu descobri recentemente que eu faço. Eu só uso o “enquanto” em último caso. Eu uso a regra de três, o gerúndio e só quando eu não tenho escolha e nenhum outro conector consegue me ajudar, recorro a ele. Imaginem assim, você está no fim da fase de mestre e só falta um trisco para que você morra, mas aí você recebe aquela vida extra, ele é o “enquanto”.

Na prática, uso o “enquanto” para descrever coisas ou ações que estejam acontecendo naquele momento, geralmente em ação consecutivas ou simultâneas, mas somente em último caso quando temos mais de quatro elementos no texto. Basicamente, o “enquanto” serve para organizar melhor a narrativa.

Exemplo:

“Carlos franziu o cenho em um ato de questionamento, se perguntando porque ele tinha sido o escolhido. Mas mesmo assim, ele pegou o livro, o abriu e se pôs a ler, já sabendo que ficaria ali por um longo tempo enquanto seus amigos se divertiam sem ele.”

Ou, para ficar mais claro, sem o gerúndio:

“Nico estava exausto. Ele franziu o cenho, coçou a cabeça e se levantou enquanto pensava em o que fazer em seguida.”

Descrições excessivas em diálogos

Outro erro comum é colocar descrição, principalmente usando “falou” e “disse” em toda linha de diálogo.

Exemplo:

“— Aqui é legal! — Jordan disse, animadamente. — Agora sei onde te encontrar. — Jordan empurrou de leve o ombro do amigo em um gesto amigável, o que fez Carlos revirar os olhos de leve.”

Ficaria melhor:

“— Aqui é legal! Agora sei onde te encontrar. — Jordan disse e empurrou de leve o ombro do amigo em um gesto amigável, o que fez Carlos revirar os olhos de leve.”

Obs: Esse foi um exemplo simples, mas, de fato, se você colocar a palavra “disse” ou “falou”, as tão famosas palavras dicendi, não é necessário colocá-las novamente no diálogo seguinte. E de fato, às vezes nem é necessário colocar qualquer tipo de descrição se o diálogo for forte o suficiente.

Que tal descrever a ação do personagem sem ter que usá-las?

Exemplo:

“— Aqui é legal! Agora sei onde te encontrar. — Jordan empurrou de leve o ombro do amigo em um gesto amigável, o que fez Carlos revirar os olhos de leve e sorrir da alegria dele.”

Construção de frases e parágrafos

Enfim chegamos no tópico central deste post, a construção de frases e parágrafos. E imaginando que todos sabem o que é regência, concordância e frases subordinadas, estamos prontos para analisar nossos parágrafos.

Nível da frase

Aqui é onde analisaremos se uma frase ou oração está escrita de forma correta. É quando verificamos se a oração tem um sujeito, um verbo forte e se os outros elementos sintáticos cumprem seu dever. É onde eu também costumo verificar se é a palavra adequada para o meu texto e ela pode ser substituída por uma mais forte. Podemos fazer isso a qualquer momento, porém é mais comum na revisão ou na segunda versão da sua história.

Observe a seguir:

“Como sempre acontecia quando eu estava com ela, esses dias passaram voando e logo estávamos a um dia da minha volta para o Brasil. Minhas férias foram perfeitas, todos me tratavam muito bem, brincamos e passeamos incontáveis vezes.”

Bem, se formos analisar superficialmente não há nada de errado com esse parágrafo. Ele serve de introdução para a cena, tem um sujeito ou personagem, é localizado geograficamente e tem sentimento empregado. Entretanto, podemos ver alguns aspectos poderiam ser melhorados, como em:

Falta de conectivos

Exemplo:

Como sempre acontecia quando eu estava com ela, esses dias passaram voando e quando eu menos vi, logo estávamos a um dia da minha volta para o Brasil. Minhas férias tinham sido perfeitas, todos me trataram muito bem, brincamos e passeamos incontáveis vezes.

  • Alguns conectivos como o “quando” e a vírgula seguinte, dão uma maior fluidez para o texto.

Obs: Como o texto é pequeno parece ser um detalhe mínimo, mas se comparado a um parágrafo maior, conectivos melhor empregados podem fazer toda a diferença.

Falta de elementos sintáticos

Na frase, “brincamos e passeamos incontáveis vezes”, o sentido está incompleto, porque quem passeia, passeia por algum lugar e essa falta de palavras se transfere para o sentido do texto, nos deixando com a impressão de que falta algo, que o texto é mal desenvolvido.

Falta de um verbo/sujeito forte

Veja nesse exemplo:

“ …e logo estávamos a um dia da minha volta para o Brasil.

Novamente, não há nada de errado com o texto, pois nossos textos são feitos de escolhas. Entretanto, se eu pudesse escolher a melhor estrutura possível, eu faria de modo a economizar palavras. Isto é, quando menos palavras você usar para descrever algo, melhor será.

Sendo assim, eu faria:

“ …e logo estávamos a um dia de voltar para o Brasil.

ou

“ …e logo estávamos a um dia de eu voltar para o Brasil.

E de novo, pode parecer outra correção sem importância, mas ao longo prazo todas as suas frases terão verbos fortes e bem construídas.

Nível do parágrafo

Aqui é onde geralmente eu verifico se a frase está bem estruturada e encaixada junto às outras frases do parágrafo, se a ordem delas precisa ser modificada, se o gerúndio está correto (se tiver algum) e se quando se lê o parágrafo ele soa natural aos ouvidos.

Inversão de frases

O texto teria sido mais eficaz se a segunda oração viesse antes da primeira, pois a segunda oração tem mais verbos fortes, isto é, verbos que não precisam de outra palavra para dar um sentido total à oração, além servir como uma melhor introdução da cena.

Exemplo:

Minhas férias foram perfeitas, todos me trataram bem, brincamos e passeamos incontáveis vezes. E como sempre acontecia quando eu estava com ela, os dias passaram voando e logo estávamos a um dia da minha volta para o Brasil.

Embora algumas alterações nesse parágrafo pudessem deixar o texto melhor ainda, a combinação das palavras certas podem melhorar a qualidade do seu texto sem você ter que fazer muito esforço.

Conclusão

Para terminar nossa análise, eu gostaria de dar um último exemplo a fim de não deixar nenhuma dúvida.

Observe as seguintes frases:

  • Ele andava pela rua;

  • Via o sol se pôr;

  • Era a visão mais bonita que ele já tinha visto.

Existem algumas formas de estruturar essas frases em um parágrafo. A mais fácil seria juntá-las, uma em seguida da outra:

  • Ele andava pela rua e via o sol se pôr. Era a visão mais bonita que ele já tinha visto.

Simples, não? Há um personagem/sujeito, um lugar e elas têm um sentido lógico quando juntos. Mas… o texto parece tão cru que parece que falta 80 % do texto. Para começar, que tal colocar um conectivo ali? Veja:

  • Ele andava pela rua e via o sol se pôr, enquanto se deparava com a visão mais bonita que ele já tinha visto.

Melhor, certo? Aquele “enquanto” não dá uma noção mais íntima ao texto? E ainda por cima, se colocássemos mais alguns detalhes do que o personagem vê? Assim:

  • Ele andava pela rua e via o sol se pôr, ele podia ver um parquinho mais a frente onde uma mãe empurrava suavemente o balanço, enquanto a filha gargalhava, de longe se podendo ouvir. Aquela era a visão mais bonita que ele já tinha visto.

Já estamos bem melhor, certo? E se nós adicionarmos um propósito para o personagem estar ali?

  • Ele andava pela rua e via o sol se pôr, podia ver um parquinho mais a frente onde uma mãe empurrava suavemente o balanço, enquanto a filha gargalhava, de longe se podendo ouvir. Aquela era a visão mais bonita que ele já tinha visto. Ele continuou andando e parou atrás de uma árvore, pegando a câmera profissional que estava pendurada em seu pescoço e se baixando a fim de se camuflar com o ambiente. Ele tirou a tampa da lente, direcionou o foco para a clareira e disparou a primeira de muitas fotos. Elas o fariam rico, muito rico. Aquela, de fato, era a visão mais bonita de todas.

E aqui, já temos uma história a ser contada. É claro que eu poderia melhorar as frases um pouco e adicionar mais informação. Entretanto, a falta de informação referente ao enredo pode servir de gancho ou para chamar a atenção dos leitores em uma sinopse. Tudo depende do que você pretende e de como você quer manter os leitores interessados.

O que vocês acharam disso? Escolham três frases aleatórias e tentem criar um parágrafo a partir delas.

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