quarta-feira, 12 de maio de 2021

COMO ESCREVER SUA HISTÓRIA - Semana I

Olá, como vão todos? Sejam bem-vindos ao nosso curso "COMO ESCREVER SUA HISTÓRIA", um passo-a-passo de como planejar e escrever uma história, que acontece no Google Classroom. Vou colocar apenas a revisão, que é todas as aulas da semana em um lugar só.

Introdução

Para iniciar, gostaria de deixar alguns pensamentos. Existem varios motivos que nos impedem de escrever, vamos fazer com que esses não seja um deles.

Talento

Eu gostaria de dizer que o talento por si só já te transforma em um escritor. Raramente. Eu poderia até dizer nunca, embora todo caso haja suas exceções.

Sim, foi o que você acabou de ler.

Na verdade, o talento é uma ilusão. O que existe é interesse e uma vontade de concretizar nossas palavras. Geralmente o interesse vem na infância, então quando chegamos a fase adulta parece que é um talento, e que na realidade é a pura prática, aplicada por anos e mais anos. E ainda assim, esse “talento” que um escritor precisa nem se compara com o trabalho duro de aprender como uma história deve ser escrita e o esforço de noite após noite revisando e reescrevendo.

Eu diria que talvez chegue a vinte por cento.

No máximo.

Não desanime, mas temo dizer que não existem atalhos, só determinação e dedicação. Sendo assim, a única coisa que posso te dizer nesse momento é:

Quando mais rápido que você começar a escrever, mais rápido você poderá se chamar de escritor.

E quando eu falo escritor quero dizer:

Aquele que escreve.

Autor de livros literários ou científicos.

Você não acredita em mim? Veja o exemplo de Stephen King ou George R. R. Martin, ou até J. K. Rowling. Não vou entrar em detalhes, apesar de saber que nenhum deles fazem o tipo de gênio prodígio. O fato é que eles escreveram, escreveram e escreveram mais até que a escrita deles foi o suficiente, conquistando o mundo com suas narrativas mágicas e seres maravilhosos.

Acredite

Ter sucesso na escrita não depende de sorte. Ela vem de entender que você não precisa ser um gênio para escrever uma boa história, pois todas as ferramentas necessárias estão a sua disposição; milhares de livros, incontáveis vídeos e blogs pela internet.

O que você precisa saber é: você é original. O que você tem a dizer tem valor; só você tem essa visão de mundo específica, ninguém teve os mesmos pensamentos que você ou teve as mesmas experiências. Mas, ao mesmo tempo, você não é. O que vai diferenciar suas histórias de outras por aí é que seu jeito de contar a história.

Por exemplo, se você descrever uma avenida movimenta, descreva como seu personagem a veria. Ele gosta dos carros impacientes? Ele odeia ficar no trânsito? E aquele carro na frente dele? Será que ele não podia ir mais rápido? O que faria essa cena ser mais interessante para sua história? Tudo o que você precisa é ser criativo e escrever de uma forma que não seja obvia e comum. Eu aposto que se você usar sua visão de mundo e experiências em suas histórias e mostrar através dos olhos de seus personagens exatamente como você vê as coisas, isso já tornará suas ideias interessantes e originais. Mas primeiro você tem que acreditar em si mesmo e ter coragem colocar tudo para fora, o que há de bom em você e o que há de ruim e de mais escuro, ignore o diabinho critico dentro da sua cabeça e coloque essa bunda na cadeira. Apenas escreva.

Determinação

Escrever uma história até ela estar em um nível aceitável leva tempo e vontade para chegar até lá. Esse é uma verdade que escritores iniciantes ignoram, algo que eu ignorei por anos. E é por isso que eu abandonei minha primeira longfic e que provavelmente nunca vou chegar a terminá-la. Tudo isso tem uma razão, ou várias:

Regras da escrita

Eu as ignorei por um longo tempo por pensar que estaria copiando o que tinha vindo antes de mim. A verdade é que alguém já escreveu algo parecido com o que eu escrevo e é impossível criar algo completamente novo. Eu descobri que o importante é como eu escrevo e não o quê.

Desafio

Uma escrita que não te desafia, que não te mantém interessado na própria história, provavelmente não vai te motivar a escreve-la até o final, certo? Porque tenha a certeza, se você tem interesse pela própria história, as outras pessoas também terão.

Diversão

Trabalho duro também pode ser divertido. Quem me conhece sabe que eu adoro uma diversão na hora de escrever. Se eu ficar preocupada com cada palavra e quantos capítulos minha história deverá ter ou se estou ofendendo alguém no processo, dificilmente vou chegar até o final.

Enfim, você vai precisar de determinação se quiser terminar sua história. Você vai lutar e vai revisar mil vezes, você vai ter bloqueios criativos mesmo que tenha planejado cada capítulo e por vezes a vida vai se pôr no caminho da sua escrita. Você precisa se comprometer, com você mesmo, no orgulho de quando você finalmente ver uma história terminada, e também precisa se comprometer com seus leitores, aquele que tira o tempo dele só para ler o que você tem a dizer e que ainda deixa comentário, que faz suas horas em frente ao computador valer a pena. Então, se você começar uma história e postar em algum lugar da internet, dê o seu melhor e termine.

Conhecimento

Você precisa conhecer o seu objeto de escrita. Isto é, tem que conhecer o seu nicho, ler os outros autores que escrevem o mesmo que você; você precisa dominar a estrutura de escrita criativa e tudo que a engloba. 

Conhecer não é o suficiente, você precisa saber o que acontece, quando e como, e aplicar nas suas histórias. O único jeito de fazer isso é…?  Você não me fazer repetir, vai? Aposto que você sabe a resposta.

Quero que você saiba de uma coisa: Você não é obrigado a seguir todas as regras. E você não deve, é claro, porque isso deixaria suas histórias mecânicas e engessadas. O que eu quero dizer é; você precisa conhecer bem as regras a ponto de saber julgar quais regras usar e quais jogar fora.

Os piores erros de iniciantes são:

  • Personagens fracos;
  • Furos de enredo;
  • Falta de ritmo e fluidez;
  • Dialogo mal escrito;
  • Mistura de P.O.Vs;
  • Primeiro capítulo desinteressante;
  • Gramática e ortografia incorreta;
  • Falta de coesão e coerência;

Conclusão

Eu encerro aqui nossa introdução. Ainda há muito o que aprender e gostaria que vocês embarcassem nessa aventura comigo. 

Início da história

Nesse primeiro tópico, veremos o básico do básico. Responderemos algumas perguntas que nos darão um panorama geral de como iniciar nossas histórias.

Introdução

  • O que você quer contar? (Que acontecimento é esse)
  • Que tipo de história você quer contar?
  • Qual emoção você quer transmitir?
  • Você gosta do que escreve?

O que queremos contar

Sim, a primeira decisão é sobre o que você quer contar. Que tipo de história é essa, ou melhor, qual emoção você pretende comunicar para seu leitor e que acontecimento é esse? 

Na hora de escrever sempre penso em mim primeiro. Minha experiência como leitora sempre vai pesar mais. É por isso que é tão importante ser um bom leitor antes de ser um escritor. Sim, ser um escritor ocupa grande parte do nosso processo criativo, mas se você não gostar de ler, se divertir ou ao menos oferecer algo que seu leitor esteja procurando será muito difícil que alguém queira te ler; é por isso que quando estamos em cursos de escrita um dos primeiro aspectos é pensar para quem você está escrevendo. Então, no fundo, eles estão dizendo, se nem você consegue ler o próprio texto e gostar do que está lendo, como outras pessoas vão gostar?

Pronto, a parte mais difícil em engolir foi dita: Você precisa gostar do que escreve. 

Mas não se preocupe, se você não chegou lá ainda, vai chegar. Isso se chama revisão e edição, algo que virá mais a frente. 

Quer dizer que você terá que ler seu texto dez vezes e aprender o que editar e o que não editar? Que você terá que enfrentar seus erros? Sim. Com toda a certeza desse mundo. Para mim, foi a parte mais difícil em aprender a escrever, não basta jogar um monte de palavras no texto e esperar que elas formem uma história. Nesse momento tudo o que temos é uma série de palavras que não fazem muito sentido para uma narração. Não basta que seu texto conte algum acontecimento. Isso não é uma história ou narração, uma história precisa da forma certa, diálogos, ambientação, lugar, época e personagens que façam sentido.

Preferi avisar isso desde o início. Se você quiser escrever uma boa história, vai precisar de bastante esforço e dedicação. Suas primeiras versões não vão ser boas, então não jogue seu texto fora. Todo texto precisa de trabalho, um trabalho em grande parte intelectual e solitário. Desde o início indico que alguns dicionários estejam a mão, um de português e de sinônimos, e um de inglês também. Às vezes, dependendo da língua que estou lendo, minha mente muda de idioma, então outras fontes de um corpus de palavras me ajudou muito.

Tendo dito isso, entendemos e questionamos:

  • Que tipo de história você quer contar?
  • Qual emoção você quer transmitir?
  • Você precisa gostar do que escreve.
  • Revisão e edição são necessários.
  • Sua primeira versão não será boa.
  • Seu texto precisará de esforço e dedicação.

Imaginando a história

Introdução

Agora que já começamos a formar o início da ideia, vamos direto ao ponto:

  • Você já sabe o que escrever?
  • Você não sabe o que escrever?
  • Você precisa de algo para escrever?

Ideia Inicial

Você já sabe o que escrever? 

Geralmente minhas ideias vêm quando eu menos presto atenção; ao ouvir uma música nova, no ônibus quando minha mente relaxa, na hora de dormir ou lendo algo, muitas vezes vendo coisas que não tem relação alguma com minha história. 

Há dois dias tive uma ideia ouvindo um Álbum novo. Basicamente era o Personagem A em uma cama de hospital, os amigos em volta dele tentando o consolar e o Personagem B o olhando da porta do quarto. Personagem A sente vergonha por estar naquele estado e Personagem B começa a conversar com o médico para saber o estado real de saúde do Personagem A. 

Essa seria minha primeira cena, uma cena que seria emotiva e dramática, porque em uma história o interessante para mim é sempre começá-la de um ponto interessante e a partir daí desenvolver o porquê disso ter acontecido, como aconteceu e qual o desfecho da história, sempre focando nos sentimentos dos personagens; pois se meus personagens sentirem algo, quem estiver lendo também sentirá (se feito da forma certa). 

Outro detalhe a se pensar desde o início é o tamanho dela. Dependendo da abordagem, essa história poderia ser bem curta, apenas focando nesse sentimento de culpa e vergonha do Personagem A. Poderia ser de tamanho médio, mostrando o que aconteceu para ele chegar a esse ponto, ou longa, englobando tudo isso e ainda desenvolvendo a relação desses personagens, mostrando também o que acontece no presente.

Resumindo: Nesse primeiro momento precisamos apenas de um ponta pé inicial. Pode ser uma cena ou momento, como fiz, ou pode ser um personagem, acontecimento ou local. 

Por exemplo, queremos escrever sobre um assassinato. Que tipo de personagem se encaixaria para ser seu protagonista? O que ele faria? Quais as possibilidades? Ou um lugar, que tipo de pessoas frequentariam esse lugar. Imagine um personagem, já existente ou não e tente descobrir como ele agiria numa situação dessas.

Você não sabe o que escrever?

É por isso que a internet existe. E livros. E vídeos. E músicas. E revistas… acho que vocês entenderam. Além dos exemplos que vou dar logo a seguir, gostaria de dar outra sugestão. 

  • Vocês precisam ler. Uma pessoa que não é bom leitor, também não será um bom escritor. Leiam obras impressas, originais ou fanfics na área que vocês pretendem escrever. Primeiro, isso abre sua mente para novas experiências e formas de escrita; segundo, vocês devem analisar o que outras pessoas estão escrevendo e assim tentar algo diferente delas ou acompanhá-las no assunto que elas abordam.
  • Leiam obras fora do seu gênero escolhido. Sim, ler outras coisas sempre me dá inspiração. Sim, não se preocupe em ser original… porque você não é, é impossível ser. Em mais de dois mil anos de escrita e você acha que vai conseguir algo totalmente novo e exclusivo? O importante é a forma que você escreve, seu estilo, que mais a frente será abordado. E de novo, não se preocupe, essa é uma boa notícia. Relaxe e se divirta, leia dos mais diferentes gêneros que isso irá expandir sua experiência de leitura e ajudá-lo a criar enredos mais interessantes. Pegar um aspecto de um livro e misturar a de outro sempre é um bom jeito de começar. Imagine… se ao invés  de vampiros em Forks fossem zumbis ou súcubos? Bem mais interessante.

Você precisa de algo para escrever?

Vejamos algumas fontes que podem servir de inspiração:

Promptuarium - meu lugar favorito. Me falta uma ideia? Nesse lugar tem de tudo. 

Quora - Um site onde pessoas fazem perguntas e outras respondem. Aqui tem perguntar sobre coisas que eu nem sabia que precisava dizer. Procure por tema e se surpreenda pelo mar de possibilidades.

Pinterest - Outro dos meus favoritos. É só pesquisar um tema, como “prompts” que em segundos milhares aparecerão.

Plot-generator.org.uk - Esse aqui te permite escolher entre vários geradores de prompts, entre eles sobre histórias curtas, script de filmes, contos de fadas e muito mais.

Writing Exercises.co.uk - Esse é outro site voltado para desafios de escrita, entre eles estão o gerador de primeiras linhas, assunto aleatorio, historias rapidas e etc.

Capitalize my title - Esse aqui é bem simples. Basta apertar um botão e uma frase aparecerá.

The story shack - Esse é sobre prompts aleatórios. O interessante é que ele sugere um gerador sobre nomes de personagem e personalidade de personagem.

Art Prompts - Nesse site os prompts são focados em desenhar, oferecidos a partir de personagens, ambientação, criaturas e outros.

Também tenho alguns post no blog que podem ajudar: (Tumblr) (Wordpress)

Tema e premissa

Agora que sabemos o que escrever, podemos focar em tornar nossa ideia em um plot especifico. O primeiro passo para começarmos a desvendar nossas histórias é determinar sobre o que ela se trata, quais os assuntos que vamos tratar nela, seu tema.

Tema (Assunto e Ideia Geral)

Mas… o que significa Tema? E, porque todos o confundem com Premissa? 

Em seu conceito mais básico, podemos entender que premissa é uma ideia mais concreta e com mais detalhes do que o Tema; é o primeiro conceito a se pensar em uma narração. Geralmente é o assunto ou ideia geral da história, como amor, lealdade, felicidade ou ambição. 

Outros a chamam de “Ideia Governante”, aquela palavra ou conjunto de palavras que irão guiar nossa narração, como concepções que precisamos desenvolver no enredo. 

Já, eu a vejo como a emoção que guiará meu texto. Na maioria das vezes ela tem a ver com amor. Ela pode ser amor seguro, amor incondicional ou até amor egoísta. Eu gosto de pegar personagens e colocar certos tipos de personalidades neles e joga-los em ambientações bem específicas para ver no que isso daria. Outros tipos de temas são “Amor x Dinheiro”, "Real x Imaginário" ou "Particular x Comunitário". O importante é manter tudo o mais específico possível.

Premissa (Promessa Narrativa)

Premissa, ou melhor, como eu a chamo, a promessa narrativa é exatamente o que parece. 

Digamos que nosso tema é o amor e a premissa seria que o amor-próprio é mais importante do que o amor romântico. Pronto, já está explicado; premissa é aquilo que é prometido no começo do texto e é a intenção das personagens, bem como os obstáculos que eles irão enfrentar.

Mas, o que afinal significa isso, essa promessa? É uma daquelas coisas que ficam implícitas na história, mas que só o escritor presta atenção. É claro que se você não cumprir esse requisito, no fim do seu livro seu leitor vai perceber algo ou se sentir insatisfeito com tal fim.

  • A promessa da história é cumprir o principal objetivo do personagem, que geralmente é dado no início da história.

Por exemplo, em “O senhor dos anéis”, qual seria a principal promessa?

Para mim, é sobre um personagem que é incumbido de destruir um anel, que se por um acaso do destino ele não conseguir cumprir tal tarefa, pode ser o fim do mundo como ele é conhecido. Agora, imagine se o personagem morresse no meio do caminho ou se o vilão conseguisse pegar o anel, o que aconteceria? Tenho certeza que a história teria um fim prematuro e insatisfatório, porque o que foi prometido lá no início, que o Frodo seria o nosso herói, se tornou falso.

Quero frisar que:

  • Precisamos ver a jornada desse personagem se desenrolar (isso seria o nosso enredo), se ele conseguirá vencer esse desafio (nosso conflito) não é tão importante nesse ponto, desde que a história cumpra a promessa feita anteriormente.

Porque, sejamos francos, geralmente fica implícito desde o início que o personagem conseguirá chegar no destino final, ou pelo menos é o que o leitor espera, e, talvez esse seja o problema quando dizemos que não gostamos de um livro, a expectativa contida nele.

Se eu dissesse que já vi isso milhões de vezes, você se surpreenderia? Sabe quando você está lendo um livro e de repente, parece que tudo mudou? Essa é a quebra de expectativa. Às vezes, é boa e às vezes, ruim. Na maioria das vezes os leitores não aceitam bem esse fato. Em séries de TV, um bom exemplo é TeenWolf, que conta a história sobre um adolescente que é mordido por um lobisomem e acaba se tornando um. As duas primeiras temporadas são boas, pois elas contam uma história que faz sentido e que segue uma linha de raciocínio lógico, além de cumprir o que prometeu desde o início;  já na terceira temporada a história muda radicalmente, entram novos personagens quase sem explicação nenhuma e uma enxurrada de enredos soltos são inseridos na história ao invés de continuar desenvolvendo o que o enredo vinha prometendo desde o primeiro episódio.

Sabe quando você está fazendo as malas para uma viagem, mas tem que sentar em cima dela para tentar fechar a mala estufada de roupas? É assim que eu me sinto com essa série. O pior é que a partir daí a história só piora, se tornando algo lenta e arrastada, com algumas exceções durante o caminho. E sabe quais são essas exceções? É quando o autor resolve trazer de volta os personagens que ele já tinha desenvolvido no passado, com isso trazendo junto as promessas que ele tinha feito lá no início.

Já, um bom exemplo de promessa bem feita é a série “Harry Potter”, desde o início sabíamos que ele tinha um objetivo concreto em mente e sabíamos qual era a promessa: sobreviver e matar Voldermort. Outra série que eu considero ter uma promessa bem desenvolvida, porém de narração arrastada, é Naruto, pois todas as promessas são cumpridas, a de se tornar Hokage e de salvar o amigo.

Então, aqui fica um questionamento: será que vale a pena trazer muitas coisas para a história se isso irá prejudicar o andamento dela e negará todas as expectativas empregadas em seu início? Porque uma coisa é uma história divertida e cheia de personagens interessantes e outra é uma história transbordando inadequações e coisas que não fazem sentido para aquele enredo.

Extra: Se for do interesse, leia:https://www.writersroom51.com/post/tema-da-narrativa-onde-aparece-e-como-articular

Resumindo:

Tema e Premissa

  • Tema: Assunto e Ideia Geral ⇒ Tema é o assunto central da sua história;
  • Premissa: Promessa Narrativa ⇒ Premissa é o objetivo ou promessa feita no início da história.

Aplicação

Está na hora de praticar! Vamos lá:

Tema

Meu tema na maioria das vezes é sobre amor. Procuro discutir algum fato ou aspecto que acontece ao meu redor. Assim como nossas histórias sempre serão contadas dentro de um contexto, eu como escritora não consigo me manter à parte do que acontece. Às vezes isso transborda para meu texto, outras vezes, fica bem mais escondido. O importante é notar que sempre está lá.

Tema: Amor incondicional x Julgamentos

Premissa

Minha premissa é algo bem clichezinho. Entretanto, o que realmente torna a história clichê não é o que escrevemos e sim, como.

Premissa: Através da amizade e compreensão chegaremos a um entendimento mútuo.

Emoção

Bem, serão várias. Porém, para os primeiros capítulos serão vergonha, culpa e arrependimento. Solidão também, com um pouco de depressão.

Emoção: Culpa, vergonha, arrependimento.

Ideia geral

Eu nunca sei o que escrever em um sumário no início da história. Então, tento contar da forma mais resumida sobre o que acontece e qual o objetivo daquela narração. Tecnicamente, é sobre um personagem se recuperando de um vício.

Ideia Geral: Ele pensava que podia controlar, pensava que tinha o mundo nas mãos. Entretanto, dinheiro nenhum iria recuperar o que ele tinha perdido; não traria seu noivo de volta, seu emprego dos sonhos ou o perdão que nem ele conseguia aceitar.

Cena

Então… eu não tenho nada preparado, porque queria começar desde o início com vocês. Vamos ver no que dá!

⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒⇒

A primeira coisa que ele percebeu foi a dor, uma dor lacerante que vinha desde suas costas e subia lentamente até sua cabeça, a fazendo latejar. Depois foi a luz, tão forte e intensa que mesmo com seus olhos fechados o fez querer se mover ou gritar para que apagassem as luzes. Vozes, altas e sussurrantes vieram em seguida, vindas de todos os lados e sons agudos que fizeram sua cabeça girar ainda mais.

— Nico? Nico di Ângelo? — Alguém disse ao seu lado, suave e baixinho, os sons se aquietando ao redor dele.

— S-sim. — ele murmurou e pigarreou, sua voz falhava, sua garganta seca e sua língua parecendo estar ainda mais áspera e enrolada. Ele sentiu algo contra seus lábios e então tudo melhorou, a dor na garganta diminuindo conforme o líquido escorria para dentro de sua boca.

— Como você se sente?

Como se um caminhão tivesse passado por cima dele, dado ré e passado de novo para se certificar de que ele não se levantaria. Mas ele não disse isso, é claro que não, murmurou um fraco “Bem” e tentou recuperar o fôlego, o esforço sendo muito para seu pobre corpo em recuperação. Porque, sim, ele se lembrava de cada minuto e o motivo de estar naquela cama; lembrava do carro vindo em sua direção, de Will gritando seu nome e de não fazer nada para impedir que o veículo o atingisse. Na verdade, ele esperava poder acabar logo com isso e se juntar a sua família.

Ele também sabia qual seria a próxima pergunta do médico.

— Você se lembra porque está aqui?

Nico acenou com a cabeça, ainda de olhos fechados, e se arrependeu completamente. A dor que havia amenizado voltou com vingança, o fazendo dar um gemido em agonia. A dor foi tão forte que um por um momento tudo sumiu, dando espaço apenas para a sensação de agulhas o esfaqueando, subindo por sua coluna e só amenizando quando aquela conhecida sensação de amortecimento o abateu.

— Está tudo bem. — O mesmo médico lhe disse. — Suas respostas são boas, logo seus amigos vão poder entrar.

“Meus amigos?”, Nico pensou, se sentindo a pessoa mais miserável do mundo. Ele não sabia que ainda os tinha. Mal se lembrava da última vez que tinha falado com sua irmã, o único parente que ele ainda tinha vivo, quanto mais algum de seus amigos. Não, ele não os merecia, ele não queria que eles o vissem nesse estado. Ele nem queria estar ali.

— Não. — Forçou sua voz a sair. Manteve os olhos bem fechados e impediu que suas emoções trouxessem mais reações que o fariam sentir dor. Ele só queria… desaparecer.

— Entendo. O senhor pode descansar agora. Voltaremos depois para alguns exames.

Aliviado, Nico ouviu passos se afastando e a porta do quarto se fechando quietamente. Entretanto, aquilo não importava; com a ausência de movimentação dentro da sala, logo sua consciência foi levada para longe, deixando que a doce morfina o anestesiasse da melhor forma possível.

Sugestão de estudo

Para um melhor aproveitamento, mantenham em mente essas sugestões:

Faça seu roteiro de estudos: leia o material e escreva em seguida com suas próprias palavras sobre o que você entendeu ou sobre o que você acha importante em um processador de texto ou em papel.

Faça do nosso curso um hábito: de uma olhada na plataforma para ver se há conteúdo novo após as 13h. Foi provado cientificamente que aprender um pouco por dia nos ajuda a reter mais informações.

Anote suas dúvidas conforme aprende: No fim do texto reveja se suas dúvidas foram esclarecidas durante a leitura. Se não, faça questionamentos na área de comentários ou por mensagem privada.

Reveja o material. Na semana seguinte retome o assunto visto na aula anterior, vendo se o material foi entendido e se restam dúvidas. Revisão é outra parte essencial do aprendizado para um entendimento aprofundado.

Faça sua própria pesquisa. Não acredite em tudo, questione e faça sua própria pesquisa. Essa habilidade de ir atrás do próprio aprendizado é que faz um bom aluno, aquele que sempre está disposto a aprender mais, melhor e mais eficientemente.

Observações

Sabendo que esse é um espaço sem julgamentos e que não existe perfeição, gostaria que vocês vissem esse curso como um espaço onde podemos aprender sem ter medo de ser julgados. Gostaria que vocês se vissem como estudantes e não como alunos. Vocês sabem a diferença? Aluno é quem assiste aula numa atividade passiva e coletiva, já estudar é algo solitário, um estudo ativo; não é apenas ler, é assimilar o conteúdo, fazendo anotações e questionamento e praticar atividades para aplicar o que foi apreendido.

Então, quero fazer um acordo com vocês. Faremos um estudo ativo durante esse curso. Ele será permeado de pequenas atividades que ajudarão a chegarmos ao nosso objetivo sem muito sofrimento. Ao fim de cada post deixarei as sugestões de estudos, apenas para lembrá-las de como prosseguir.

Tarefa

Bem, para uma primeira cena foi aceitável. E como vocês viram, mantive esse sentimento de depressão e vergonha por todo o texto; se eu senti, meus leitores também vão sentir. Para o desafio dessa semana façam o mesmo. 

Sugestão de atividade

Ao pensar na cena:

  • Registre tudo o que vier a cabeça;
  • Pense nas possibilidades que essa cena teria para se desenvolver uma história;
  • Não jogue nada fora, o texto que não servir agora pode servir no futuro;
  • Agora é a hora testar e apenas colocar no papel;
  • Você tem ideias antigas? Tente escrever uma cena sobre isso.

Desenvolvam uma tese e a executem, preenchendo abaixo:

Tema: (Diga em duas ou três palavras.)

Premissa: (Diga em uma frase.)

Emoção: (Diga uma emoção geral ou um pequeno grupo de no máximo três palavras.)

Ideia Geral: (Faça um pequeno resumo, da cena ou da história)

Cena: (Escreva sua cena! No mínimo 200 palavras)

Quem quiser participar>>>>>>>

https://classroom.google.com/c/MzMwODkyNjExNjgy?cjc=gmm7uxv

0 Comments:

Postar um comentário